terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O2

Uma molécula apenas. Dois átomos juntinhos. Vitais.

Vende-se em garrafas artilhadas. 3mg durante a noite/1,5mg de dia.

No entanto não penetra em brônquios congestionados, cansados e sem força para exsudar.

Tira-me o ar, vê-lo ali comprimido nas garrafas e, em falsete, tentar e não ser já capaz de oxigenar as células que se fazem frias e roxas...

Tira-me o ar sentir que o oxigénio deixa de ser vital quando já não se tem força...

Quase que parece aqueles amigos que só estão na altura dos copos...




sábado, 14 de fevereiro de 2009



"Amante" é alguém ou algo que nos faz namorar a vida...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Ficamos estupidamente impotentes com a morte.
Encarcerados num turbilhão de sentimentos de angústia, tristeza, culpa, pequenez, revolta e dor. Muita dor...
Por isso acredito no Pai Natal e Na Fada dos Dentes e até no Coelho da Páscoa.
E em tudo o mais que sirva de paliativo.
Mas principalmente em Anjos da Guarda e no meu Deus com riso de criança,
sempre comigo...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

É neste meu espaço em que sou livre que amo as palavras que não digo.
Aqui, onde mora a noite e as crianças dormem, exorcizo idéias que teimam em me acompanhar.
Danço e invento melodias surdas que me adormecem...
Simultaneamente só e acompanhada por múltiplas cores a quem dou abrigo.
Perdida entre verbos complexos como o verbo "amar"...
descobrindo afinal o seu sentido,
ou simples advérbios que travam o tempo devagar
e me recordam o sabor do que foi vivido...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Gosto de ti todos os dias...
Quando te penso e quando não te penso...
Na leveza dos momentos felizes e até nos impossíveis...
Gosto do riso dos olhos que calam palavras,
do que fazes e do que deixas de fazer...
Gosto da multidão que és...
E sei que jamais conseguirei adormecer a certeza
de gostar de ti todos os dias que me faltam...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009



É mais POSITIVO dizer aos outros que nos magoaram do que atacá-los...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Ano Novo! Casa Nova! Vida Nova!...

Sempre vivi aliando a realidade à fantasia, essencial para mim.
Sempre achei que o sonho era a brisa apimentada dos meus dias.
Continuo...
Os anos que por mim passam não me roubam a levitação nem o êxtase.
Abraço, crente, uma sensação como se fosse a primeira vez.
Tudo é sempre uma primeira vez, ainda que repetido...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Vistam-se as estrelas a rigor,
icem bandeiras, toquem melodias...
renovem-se as preces de todos os dias
e ainda que a medo solte-se o amor...
É o novo ano que chega
trazendo consigo sorrisos escondidos,
sons enfeitados, telas por colorir...
e que a alma, ávida de esperança,
corajosa abrace o que há-de vir!

domingo, 21 de dezembro de 2008

Natal significa "nascimento".
Que neste Natal façamos nascer coisas boas.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008



Ontem caíu um dente ao Martim. Já não devem faltar muitos. De repente dei por mim a pensar que cada dente que lhes caía era tão normal que nem me apercebi que um dia seria o último... E assim vão crescendo sem darmos conta, atarefados que andamos com "coisas muito mais importantes"...

Resolvi então dar muita importância a este dente que ele insistia em pôr debaixo do tapete para a Fada dos Dentes lhe deixar um euro em troca...

A Fada, ocupada que estava em corrigir testes, esqueceu-se da troca e o dente permanece debaixo do tapete... levá-lo-á talvez hoje para o reino dos dentes, lá, onde se fabrica o marfim...

Mas a questão é bem outra... é novamente o tempo que não pára. Teimoso e rápido demais. Leva os dentes de leite e com eles as crianças, para se fazerem Homens.

E por isso os dentes que faltam cair ao Martim serão mais valorizados. Desde o dia em que começarem a abanar, devagarinho, até estarem quase a cair... Que é para ver se o tempo não corre tão depressa e ainda vou a tempo de deixar os testes de lado e embalar os meus filhos...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008



Tínhamos quatro ciclos de vida para cumprir... e ainda assim era pouco...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Não sabia que era revolucionária. Contestatária sim, mas revolucionária não. Quando era pequena todos diziam que eu "era do contra" , mas nunca me senti "da revolução"...
Hoje sim. Abraço irrefutavelmente uma luta. Ou várias. Mas hoje, em concreto, a luta pela educação pública e digna. A luta por um sistema que vise educar gerações responsáveis e conscientes. A luta por princípios básicos. A luta pelo que é justo. E dou a cara e a alma por aquilo que acredito. Como acredito no amor. E dou a cara por ele. E a alma.
Nunca "areei" o que quer que fosse... nem conhecia sequer tal palavra (assumo a ignorância...)
Estreei-me com uma panela de fondue... nada melhor... entranhada de óleos fedorentos...
Batalhei horas para ganhar o brilho de uma panela que parecia rir de mim...
E depois do esforço e do tempo despendido pensei nas horas mal gastas que a vida tem...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Quantas vezes me disseste para não fazer isto ou aquilo?
Quantas? Essas tantas me avisaste....
Mas escorrego tantas outras. Os dias são mesmo assim.
E nada seria o mesmo se da queda não vingasse um melhor pedaço de mim...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Tu sabes como se ama um som...
Relembra comigo o sabor das maçãs...
acres mas maduras
ácidas mas perenes
como o sabor da nossa paixão...
Deves estar a chegar...

A aragem lembra-te.

E eu quero confiar nessa memória que semeámos, tu e eu...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Já terei morrido muitas vezes...
sempre que o frio me entranhou a alma
e me sagrei espessa como o caos...

domingo, 9 de novembro de 2008

Alguém devia dizer à Senhora Ministra da Educação que a escravatura em Portugal foi abolida em 1869 (facto de que muito me orgulho, sendo portuguesa, uma vez ter sido dos primeiros países a decretar esse princípio nobre).
Talvez alguém o devesse dizer também ao mui nobre Primeiro Ministro, principal mentor e ditador desta reforma educativa a que a sua Ministra obedece cegamente, enquanto sua "empregada".
É que os professores estão a ficar cansados. Mesmo muito cansados. De tantas reformas, umas atrás das outras, que vão minando o Ensino em Portugal cada vez mais.
Estão a ficar revoltados "à séria", porque se sentem "escravos do papel", escravos de horas perdidas em relatórios ridículos e grelhas amorfas, obscenas e impraticáveis. Escravos de uma política economicista e tecnocrata. Escravos de uma postura "anti-docente" praticada por este governo que os desrespeita.
Os professores querem ser livres para poderem fazer aquilo que escolheram fazer: Ensinar a Aprender.
Ontem naquela manifestação de 120.000 professores não pude deixar de pensar numa coisa: estavam ali reunidos muitos licenciados, muitos mestrados e até muitos doutorados...com tanta sapiência unida, saberemos concerteza "desalgemar-mo-nos"...
Alguém devia avisar a Senhora Ministra...

sábado, 8 de novembro de 2008



"...Há quem tenha a mania de escutar o que a alma diz...

...e há quem seja alheio a ela e seja muito mais feliz...

...se te perco, perco o Norte e todos os outros cardeais...

...perco a alma, perco o peito, eu nem sei direito o que eu perco mais..."

quarta-feira, 29 de outubro de 2008


Antigamente o Professor era um mestre.

Levantavamo-nos das carteiras assim que ele entrava para lhe dar os bons-dias.

Depois acharam que isso reflectia um Estado de direita e que incutia idéias fascizantes na cabeça das crianças...

Hoje o Professor é um palhaço.

Os alunos continuam a levantar-se das carteiras, mas sempre que lhes apetece, por tudo e por nada, até para lhe bater...

As batas brancas que poupavam as roupas e mantinham democraticamente equidade entre os discentes, escondendo de igual forma marcas caras e debotados, desapareceram...

A noção enraizada de que aprender era necessário ao futuro de cada um, desapareceu...

O respeito a quem nos ensinava a aprender, também desapareceu...

Apareceram outras idéias...

E depois de reformas atrás de reformas surge agora a mais fascizante de todas, ainda que por incrível que pareça, seja fomentada por um partido dito de esquerda, democrático e liberal...

Agora o mestre de antigamente vive estrangulado, num regime burocrático e opressor, que viola de forma grosseira todas as regras a que o processo de ensino-aprendizagem deve obedecer.

E eu pergunto: até quando?...


Sou esta estrada que não acaba

engenho e luz a insubordinar a alma...

Sílaba a sílaba me descubro a cada dia

e quando já pensava saber tudo

eis que me celebro ao vento, inteiro e limpo,

como tu...


quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Será hereditária esta complacência? Terei herdado este sofrer calado?...
Queria agora que a minha citosina trocasse de par, para maiores serem as combinações e probabilidades...
Não aceito esse gene passivo que me atormenta. Agarro um outro, congénito ou não, que me levará a maiores conquistas...
E montada num cromossoma rebelde, sonho vitórias coroadas de paz, de riso e de esperança...


Na quinta do meu tio havia um cantinho onde eu inventava brincadeiras. Era pequena. E tinha sonhos grandes que nunca agarrei. Mas a mão forte de meu pai permanece na minha memória...quando me arrancava do lago dos girinos e me punha às cavalitas porque eu tinha medo das lagartixas... Ainda hoje tenho...rastejantes pequenos mas assustadores...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008



Às vezes sinto-me "num cemitério de pianos"... Com TUDO à minha frente e sem poder fazer NADA...

Caio de exaustão, de joelhos sobre a areia quente, e peço-te colo...

sábado, 18 de outubro de 2008

Ainda volto a lhe escrever. Uma vez mais. Ainda que parcas as palavras. Ainda que seja morto o som da noite do beijo... Podia pedir-lhe baixinho mais um dia... mas não pode mais meu coração olhar p'ra mim... E assim me despeço, minha poesia, sai do meu peito e semeia emoção noutro lugar... Canta alto e leve... ama por favor... sempre mais...
É esta cinza que dói que hoje me embala. E eu sei que um amor só é grande se for triste (disseram-me)... mas não posso mais levar este barco...
É esta a nossa hora...
Saiam todos... nós somos muita coisa... mas não vamos falar sequer... apenas fazer um abraço apertado, fechar os olhos... e fingir que somos apenas papoilas ao vento a dançar...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008



Hoje lembrei-me de coisas de infância. Coisas que não me lembrava há muito. O Miguel Frasquilho a tocar piano comigo na Academia e um livro que a minha mãe me lia de noite e que eu adorava: "O boneco Teófilo"...
E depois ri sozinha das duas lembranças... " Miguel Frasquilho e o boneco Teófilo"...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Tive um dia uma avó. Daquelas que têm caixas de bolachas, se vestem de preto, sabem tudo sobre as missas e escondem notas de escudos para distribuir pelos netos... Tive uma avó assim... que me mimava mais que tudo e me acordava com uma bolacha Maria nos lábios a dizer: "acorda, meu doce..."... Essa avó teve que ir para um lugar que eu não queria e vi-a partir sem nada poder fazer para a manter aqui... Hoje sei que continua comigo. Até hoje, 25 anos passados, continua pertinho... ainda me acorda de vez em quando e me deita nas noites mais difíceis. Sou muitas coisas por causa dela. E por causa dela também sei que o colo acaricia a alma, tal como o cheiro a limão do bolo que havia quando eu era menina...



Gostar de alguém... quando ficamos com aquele ar asmático, aparvalhado, como se de repente deixasse de haver vascularização cerebral... e estáticos afundamos no olhar de alguém... quando o infinito é aquela pessoa... quando acreditamos sempre... e tudo parece apenas uma diástole sem consequências... é bombear o que faz sentido... sístoles rítmicas ou arrítmicas mas perfeitas... gostar de alguém...

domingo, 12 de outubro de 2008

Li há pouco um qualquer texto sobre o "namorídeo"... expressão usada para aqueles que nem namoram nem deixam de o fazer... estas relações ditas modernas em que cada um tem a sua vida e se encontram quando não há mais nada interessante para se fazer...
Peço desculpa por ser do tempo em que se chegava a casa e era bom o cheiro aconchegante do jantar e igualmente boa a conversa à mesa, partilha entre pais, irmãos e filhos, mas mais importante que tudo, entre gente que se amava e efectivamente NAMORAVA...
Namorar é afagar o outro, entregar-se e fazer o pino para lhe roubar um sorriso...
Cresci a ver o "namoro" dos meus pais e a querer namorar assim...

sábado, 11 de outubro de 2008



- SAWABONA!

- SHIKOBA...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Andava a evitar tocar no assunto que me consome, a (des)avaliação docente, mas é mais forte que eu... A pressão que este "modelo" exerce sobre nós, professores, obrigando-nos a assumir onus de realidades que nos transcendem, valorizando cargos em detrimento de competências científicas, técnicas e pedagógicas, incentivando reacções de melindre entre colegas e, baseando-se em documentos demagógicos que apenas visam o protagonismo de actores políticos (com vista a angariar militância junto de uma opinião pública alheia à verdadeira realidade escolar), ESTÁ A DAR CABO DE MIM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
O que se passa não é mais que uma estratégia de interiorização de obediência, levando os professores, por natureza cumpridores, a uma servidão cega (já no "Admirável Mundo Novo" se falava algo do género... robotizar mentes, fabricar mão de obra, dominar, esmagar, etc etc etc...).
Vejo-me hoje num sítio que não é o meu. A Escola existe como veículo de Ensinar, Formar e Educar, e não como meio burocratizante que demite os professores daquilo a que se propuseram e dedicaram incondicionalmente ao longo da suas carreiras até hoje.
É URGENTE parar! E que pela primeira vez, na história da carreira docente se ouçam a vozes dos professores dizerem: NÃO FAÇO!!!!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008



Os anos colam-se à pele ,

indeléveis,

únicos e nossos...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Às vezes é preciso voltar para ver que tomámos a decisão certa em ter partido...

domingo, 21 de setembro de 2008

Hoje em dia fidelidade... só nos aparelhos de som...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O longe nunca seria tão bom se não pudessemos sempre voltar para casa...



Quase tudo tem conserto... ainda que no momento não o saibamos...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Os beijos são homeopáticos...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

É assim o amor puro. Ama com febre, sem limites nem barreiras. Entrega-se incondicionalmente. Basta-se a si mesmo porque deseja apenas amar!
Vivam estes amores em extinção!

Devia fundar-se uma associação em prol do amor puro. Como aquelas organizações ambientalistas que defendem os animais e protegem a Natureza.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Tudo é apenas tempo...

sábado, 9 de agosto de 2008



De há tanto tempo caladas, estavam roucas as teclas do meu piano. Como vozes escondidas, silenciadas no peito.

Toquei-lhes ao de leve, quase com medo... responderam sorrindo, contando da saudade de se fazerem ouvir.

Então a casa ficou mais alegre e as crianças riram. Entoando com os olhos cantigas de amor...



Hoje estou feliz. Agora. A esta hora. E é sempre e só assim que se consegue. Não existe SER feliz. Apenas ESTAR. Aqui e ali. Momentos fugazes.
Que ao querermos agarrar tornamos eternos numa memória carinhosa que de vez em quando chega para nos fazer cócegas...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Quero partir... esta não é mais a minha casa.
Sem abrigo,
partirei em busca de uma
cujo chão me embale
e no tecto se desenhem loucas estrelas...



Mãe...
pilar de força,
mural desenhado pela vida...
vaso de nós, flores do campo,
ávidas de sol...
É um tempo leve,
este em que o sal se faz tua boca
e a areia me corre nas veias devagar...

quarta-feira, 23 de julho de 2008



I'm in the middle of nowhere...

somewhere between something and something else...

segunda-feira, 21 de julho de 2008

E agora tu...
Ninguém me avisou que ías chegar
e de repente acordar as manhãs...
Icem-se as velas
e façam-se as naus ao mar
que estou pronta para partir...
Doravante, na minha face,
o sal será o das ondas apenas...



E a vida torna-se para todos um tapete vermelho, qual passerelle... E desfilamos todos os dias... também nós, modelos quotidianos duma existência, ora pacífica ora feroz... uma fachada à vista e outra dentro de nós...

domingo, 20 de julho de 2008

A capacidade de entrega é uma qualidade que todas as pessoas têm mas nem todas conseguem usar. Conseguimos entregar-mo-nos de corpo e alma a um trabalho, a um projecto , a uma causa, mas não a uma pessoa. Entregamo-nos sem hesitar a algo, mas não a alguém... Se por um lado entendo, que a necessidade de nos protegermos da desilusão nos impeça, não entendo por outro, que o medo seja mais forte que tudo o resto.
Não entendo que coisas mereçam mais de nós do que pessoas...
Hei-de entregar-me sempre. A tudo o que amar. Ainda que a queda doa, justifica o vôo...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Pai... este sítio onde à noite afogo a alma antes de dormir é o espaço que tenho para te falar, pois que não me ouves... a ti devo o amor, o real, o verdadeiro... o dos livros, dos filmes, acordado e a dormir... eras o "carro da gente" e isso queria dizer o colo, o colo que sempre senti a vida inteira... deixa-me dizer-te, ainda que não me oiças, que a marcha, "a não perder de vista", continua em teu nome... e que, para teu gáudio, tomei de novo o pulso da minha vida... sou os genes que me deixaste e para sempre "o riso depois da mágoa"... Obrigada, gargalhada azul...