E de repente os olhos do menino-homem encheram-se de mar.Um mar salgado transbordante de amor onde todos navegavamos abraçados.
Parabéns, meu pequeno príncipe!
Fez ontem 35 anos, era eu muito pequena e ouvia atentamente uma história contada pela minha irmã, quando as contracções começaram... lá se foi a história para o escambáu, mas na manhã seguinte nascias tu, a minha caixinha de surpresas!
É enquanto cá estamos que amamos, que sorrimos, que magoamos e nos faz doer.
Este não foi um ano fácil. Foi Outono sempre. Cada hora era hora de naufrágio.
Voa, meu beija-flor, voa hoje um pouco mais longe...
Quando eu morrer quero encontrar-te.
OBRIGADA a todos os amigos, que neste Natal tentaram com seus gestos e palavras, diminuir um pouco a estranheza de ser o primeiro.
Este vai ser um Natal diferente...
Há muito tempo que não escrevo... deixei passar o dia de anos do Martim... Que dizer?... Que os anos passam e que nem damos por eles e que de repente os bébés se fazem crianças e adolescentes e um dia serão Homens... e que tudo passa depressa demais.
Acabei de ler um livro de neurobiologia em que eram referidas, constantemente, as relações directas entre aquilo a que chamamos "físico" e aquilo a que chamamos "psicológico".
Faz hoje 6 meses que o meu pai morreu. Desde então tem-se tornado cada vez mais difícil lidar com perdas irreversíveis. A morte do meu pai fez-me sentir na pele uma revolta contra o tempo, que nos rouba definitivamente momentos bons e felizes, para sempre intocáveis. Acordo muitas vezes a chorar por esses momentos.
Há quem diga que as pessoas nunca mudam. Pois não concordo. Acredito que muito da nossa essência se mantém, mas mal seria de nós se não evoluíssemos nunca.
O pai e a filha iam de mãos dadas. Dadas um ao outro. Ela dava-lhe a mão como que a pedir colo... ele dava-lhe a mão como se fosse uma casa... uma casa grande e segura onde tudo era bom e terno. E sorriam um ao outro de mãos dadas.
- Fala-me dele, falas?
Continuo a fingir, dia após dia, que sou uma pessoa normal desde que foste embora...
A Lua Cheia mexe comigo... ainda me deslumbra... gosto de ficar a olhá-la demoradamente...