quarta-feira, 29 de julho de 2009

O pai e a filha iam de mãos dadas. Dadas um ao outro. Ela dava-lhe a mão como que a pedir colo... ele dava-lhe a mão como se fosse uma casa... uma casa grande e segura onde tudo era bom e terno. E sorriam um ao outro de mãos dadas.
E assim foi sendo sempre... o tempo a passar e as mãos sempre dadas... a sorrirem.
Num dia triste o pai adoeceu e as mãos tolhidas do corpo doente já se não davam da mesma maneira. A filha beijava-lhe a testa como que a dar-lhe a mão. Dele, não se sabia se a recebia...
Num dia ainda mais triste em que o corpo não aguentava mais aprisionar a alma que se quer livre, a mão do pai abriu-se e a filha agarrou-a com força, como que a dar-lhe o que fosse preciso... Então do rosto do pai escorreu uma lágrima e partiu... Dela, não se sabe mais nada...

5 comentários:

Isabel Preto disse...

Que lindo, apesar de encerrar tanta tristeza! Coragem...

Alcides disse...

texto agridoce..mas forte..beijos

TuniKKa disse...

Algures, é certamente uma alma feliz...

Karlytus disse...

este texto prova q a beleza n veste sempre cores vivas e alegres.. gostei imenso!

um dia bem azulinho pra ti!

beijinho azulis tb! :)

Nica disse...

hey Vocas! obrigada por passar no meu blog e por ter comentado. estive a ler alguns dos seus textos mais recentes e apreciei bastante. a dor é um dos engenhos que liga o motor da criatividade.
passe no meu blog sempre que lhe apetecer, aviso desde já que nem sempre escrevo com correcção no português ou no tema.

beijinho