terça-feira, 17 de agosto de 2010

Estou farta de perder pessoas...

Primeiro foi a minha avó. No auge da minha adolescência não entendi que a sua vida se tinha cumprido e a dor fez com que passasse a andar com os bolsos cheios de Valium's para atenuar a angústia de a ver partir. Chorei muito.
Depois foi o meu primo. De um dia para o outro. Num dia estava cá e no dia seguinte já não estava. Aos 33 anos, tal como Cristo, foi crucificado, mas por um fulminante enfarte. Também não entendi a sua partida tão jovem e andei meses a ligar-lhe para o telemóvel apenas para lhe ouvir a voz no atendedor de chamadas. Chorei muito.
Mais tarde foi a minha tia. Em seis meses um cancro assassino roubou-lhe a vida que ela tanto amava. Cuidei dela como se fosse minha mãe. Todos os dias. No dia em que foi embora deu-me um beijo. Como se soubesse de antemão que já não mais me veria. Chorei muito. E às vezes ainda choro.
O ano passado foi o meu pai. O meu grande e adorado pai. Apesar de dez anos de uma doença venenosa e cruel, foi (é) muito difícil encaixar a idéia de já não o ouvir rir nem poder abraçá-lo junto a mim. Tem sido um ano complicado a tentar interiorizar que onde quer que ele esteja está seguramente melhor. Choro (ainda) muito.
E ontem foi uma amiga de sempre. Depois de seis anos de uma luta em que considero ter sido vencedora, partiu abruptamente, deixando-nos uma lição de vida e de coragem. Conheci-a há muitos anos, éramos duas adolescentes. E continuámos amigas neste caminho desde então. Acompanhámo-nos sempre. Nas fases boas e nas fases más. E apesar de saber que um dia este dia havia de chegar, e apesar de saber que a partida dela é um alívio no seu sofrimento, não tenho palavras para exprimir o vazio que sinto. Adeus, Teresa! Até um dia! Choro muito.

1 comentário:

São disse...

Perdemos umas, e vamos ganhando outras... para além disso, "Morrer, e apenas não ser visto".
Beijos enormes minha Vocas.
Mãe São