sexta-feira, 27 de maio de 2011

Às vezes, muitas vezes, falamos melhor por escrito.
Calamos o som das palavras e desenhamo-las no silêncio de uma folha branca.

Às vezes, muitas vezes, as letras abraçadas falam das coisas que o peito cala.
E dançam felizes e soltas num espaço livre de papel.

E de vez em quando, muito de vez em quando, acontece fazerem amor ali mesmo.
E nasce um poema.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Feliz é o momento onde me reinvento,
o poema que escrevo, a brisa na face,
a nudez do trigo, a música breve...


Feliz é a camisa aberta e branca sobre a tez morena,
o passar ao de leve na pele a meiga pena,
o brilho do olhar cruzado sob a luz da lua,

Feliz sou eu, dançando livre e nua...

terça-feira, 3 de maio de 2011

Um beijo pode ser um filho, pode ser um verso...
Um beijo é sempre um pouco de mar,
é a rebentação na tua boca...
Tocam-se os lábios em festa,
doce ou ferozmente em febre louca...
Um beijo é o que eu quiser na tua boca...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Eu só gosto de flores silvestres... selvagens e coloridas.
Por isso amo os malmequeres nos teus olhos.
Sob a luz das estrelas danço livre e gosto.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ontem festejei-te, pai. Eu, neste mundo onde julgamos viver e tu, nesse mundo que desconhecemos. Mas fizemos uma festa. Os dois. Tu e eu. Assim como era quando cá estavas. Quando todos os dias eram uma festa.
Olhei-te na fotografia porque os meus olhos te precisam. E abracei-te no meu peito que te guarda.
Senti o mar a subir e as ondas a rebentarem nos meus olhos. Que a saudade às vezes doi como um barco naufragado.
Mas o que conta, pai, o que conta apesar de tudo, é que eu sei que tu sabes que estamos vivos um no outro.

domingo, 17 de abril de 2011


- " Desaparece, está bem?" - disse-lhe em tom seco e feroz. E ela não entendeu porque é que num momento passeavam de mãos dadas pelas ruas e no momento seguinte não podia mais sentir aquelas mãos como suas. Não sabia se tinha sido um sonho... ou se estava a acordar de um pesadelo... _ "Olha só para mim, apenas como quem vê. " - disse-lhe. O tapete vermelho trazia recordações de olhos fechados. Como quem acredita. Assim como os girassóis. Que mais ninguém vê e nunca mais alguém verá, mas que são lindos só por se saberem. Sem razão. Só porque sim. Como tu eras. E o que eu via em ti era a tua luz. Que mais ninguém sabe ver. Porque as pessoas são egoístas. E só vêem o que querem ver. E eu via o que tu eras. Nao o que queria ver. Como agora vejo naquilo que te transformaste. E não o que gostaria de ver. Desapareço sim. Mas não antes de te dizer das dunas e do que não pode morrer. Nâo antes de sentir o mar no meu olhar. Não antes de pensar que morrer devia ser assim... contigo na boca.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Se eu nascesse outra vez, nascia para ti...

Sem medos, ressentimentos ou inseguranças.

Perdia-me nesse teu olhar de girassóis como se fosse uma criança

acreditando ainda que o amor pode ser arte e eu artista.


Se eu nascesse outra vez pegava em cada retalho da minha vida

e pintava-os um a um com aguarelas,

lindas, lindas todas elas,

como tu e eu na primavera.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Descanso em ti como uns pés numa cadeira. Amo o vento que te traz. Amo o som da tua voz e o teu cheiro na minha pele. Amo o colo que me dás e a luz da madrugada a entrar pela janela... Descanso em ti como uns pés numa cadeira. Repouso no teu olhar como se não houvesse amanhã. E cada dia que passa, com a lua na algibeira, invento-me no teu abraço, apaixonada e inteira.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Ai meu Deus! Que eu não queria mesmo falar sobre isto mas tem de ser. Que este é o meu espaço de fuga e libertação, onde exorcizo os meus pensamentos. Assim como se fosse um piano de onde saem sons. E hoje apetece-me tocar...
Existem pessoas tão más, tão más... e que se julgam tão boas, tão boas! Demónios com caras de anjo... que se cruzam connosco, se aproveitam de nós, nos sugam o tutano, nos deitam abaixo e depois seguem as suas vidas como se nada tivessem feito!
Existem mesmo pessoas assim! E é sobre elas que reflicto hoje. Porque também elas têm um importante papel na nossa vida: o de aprendermos a reconhecer o que vale mesmo a pena.
Já não me desiludo. Apenas não me iludo mais.
Beijos a todos e um excelente fim de semana!

terça-feira, 8 de março de 2011


A todos os que me têm demonstrado o seu carinho e amizade, quero agradecer. Muito.
A vida, às vezes, não é mais que uma figura branca deslizando entre os nossos dedos, uma noite que se arrasta ou os cabelos de minha mãe...
Às vezes, muitas vezes, é sangue. Outras, um pequeno mar apenas meu.
Nestes dias, não tenho visto senão conchas mortas num caminho comprido e máu.
Mas como reikiana e outras coisas que sou, agradeço ao meu Deus todos os desafios que me dá, para que com eles aprenda e fortaleça. E no meu Deus me deito e entrego todos os dias.
E é nestas alturas, em que a vida nos abana como pequenas folhas ao vento, que mais pensamos e crescemos.
E um pensamento não me sai da cabeça: como é que é possível que a pessoa que mais amei é precisamente aquela que mais me arrependo de ter cruzado o meu caminho?!

quinta-feira, 3 de março de 2011

São baralhos de cartas que se esvaem em dominó, umas atrás das outras...
Castelos de areia devastados pela fúria do mar...
É a luz do dia que queima em jeito de espada,
e o silêncio da noite que me ensurdece os sentidos...
É tudo, tudo à minha volta chamando a morte devagar...
E é só nos teus lábios que a loucura adormece em paz.
Deita-te comigo e faz que a música, ao menos, continue minha.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pai...

Às vezes a saudade dói como um barco que deixa de se ver na linha do horizonte,
outras vezes faz cócegas e faz sorrir...
Houve dias em que a saudade chegou embrulhada em lágrimas,
e outros em que me abraçou no teu aroma...
Há dias assim e dias dos outros.
Mas nunca, nunca deixa de viver colada na minha pele.
I love you, Daddy, wherever you are...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

19 de Fevereiro

É hoje o dia em que um ano se encerra para que outro se inicie.
Um ciclo termina para que outro comece.
O passado é passado e o futuro espera ser abraçado.
Obrigada por me acompanhares nesta viagem.
Pelos sorrisos e o peito aconchegado só por existires.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

AMOR...

Acordar e enfiar os pés numas pantufas feitas de nuvens e começar logo a levitar...
Guardar o teu cheiro no bolso e sorrir...
Passar os dedos pelo teu cabelo em jeito de contemplação...em oração até, se quiseres...
Correr pela praia e chegares a mim em cada onda.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O meu bébé...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

INJUSTIÇA


Se há uma coisa que herdei do meu pai foi o sentido de justiça.

Não tolero a injustiça. Revolta-me.

Ser injusto é ser cruel e mau.

É não ter sentimentos e ser capaz de crucificar impiedosamente e sem razão.

Hitler cometeu uma atroz injustiça ao dizimar milhares de judeus inocentes. E o mundo revoltou-se e uniu-se em aliança para o parar.

Será que apenas nos revoltamos quando são milhares?

Não basta um único Ser Humano ser injustiçado para isso nos causar revolta?

A mim sim. Porque o princípio é o mesmo: a capacidade de crucificar impiedosamente e sem razão. E a crueldade que isso é.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Voltei.
Deixo-vos com um excerto do livro "O teu amanhã é muito longe":


"...Em tempos tive um namorado por quem nutria uma intensa e flamejada paixão. Ligava-nos o mundo dos sonhos, e abraçavamos uma divina loucura onde navegavamos em verdes ondas e onde também naufragámos. Porque as grandes paixões não podem ser eternas. Torna-se impossível viver em constante exaltação dos sentidos, toldados por frenéticas hormonas que nos deixam febris.
Anos depois vieste tu e o mundo parou. Não sei o que aconteceu mas absorveste todo o sentido da Terra. De tal modo que, sem ainda saber muito bem o que aquilo era, perdi-me em ti, agasalhando-me nos teus afagos. Tal como alguém disse, o meu corpo tornou-se pequeno demais para tanta alma e o meu peito deixou de saber lidar com o que albergava. Porque era pequeno demais para aquilo que sentia.
Eu sou uma mulher de paixões. Não entendia nada de amor. Não sabia saborear os afectos com paciência. Com o tempo fui aprendendo a amar. O amor é como um parto. Doi a nascer. E hoje eu amo-te sem apego e longe. Hoje eu amo-te inteiro e livre. Com todos os teus defeitos, injustiças e tiranias. Amo-te, ponto.
Acontece que, quando aprendi a amar, aprendi a amar-me também a mim. E amo-te como nunca amei ninguém, mas amo-me mais a mim. Amo-te mas não és o meu ar. Amo-te mas não posso mais deixar que me magoes e faças mal.
Todos nós esperamos ser amados em igual medida e ninguém se deve contentar com menos.
E por isso, pela primeira vez na minha vida, digo algo que em tempos me disseram e que eu na altura não entendi: "Amo-te tudo, mas não te quero!". Agora entendo...".

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Aprendi este ano que:
- é pior morrer por dentro do que por fora
- é mais fácil acusar o outro do que a nós mesmos
- o Ser Humano pode ser muito cruel
- o meu erro foi querer ser feliz com os outros antes de o querer ser comigo
- o caminho é para a Luz
- cada minuto de vida é-nos apenas emprestado e devemos dar-lhe o melhor de nós
- tenho o direito de dançar a vida

E por isso, é melhor começar já a dançar antes que a música se acabe!

Feliz Ano Novo a todos!

(fechada para obras)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O amor não tem tempo. Vive em nós e sem nós. Vive para além de nós, quero dizer.
Como se de uma terceira pessoa se tratasse. Existe e pronto.
E somos estupidamente ignorantes se pensamos que conseguimos poder desrespeitar a sua memória e esquecê-lo. Não existem falsificadores de memória.

O ano vai ser novo, uma nova estação. Fazem-se votos e tomam-se decisões. Alteram-se coisas.
Mas o amor permanece. Sempre. Em forma de oração.






sábado, 25 de dezembro de 2010

Natal significa nascer. Nascemos todos os dias. Muitas vezes.
E é para isso que cá andamos. Para nos aperfeiçoarmos a cada nascimento.
Feliz Natal para todos!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Tenho uma tia algures... às vezes longe, às vezes perto... que faria hoje anos se ainda vestisse esta roupa que é o corpo.
Hoje, sem idade, vive perto de nós afagando-nos a memória.
Era (é) hoje que tudo começava... por causa dela, a família em roda abraçando aquilo que é importante.
Parabéns tia Lídia!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Está frio na rua e nas casas. Está frio onde estás e onde não estás.
Sim, eu amo ainda essa luz molhada feita de orvalho que te traz.
Aqui estão as minhas mãos prolongando a música.
Trazendo os teus cabelos de neve.
Aqui deixo estas palavras que tentam reacender um fogo breve.
Que tragam, ainda que por segundos, a carícia do Verão que nos pertenceu.
Aqui me tens: eu.

sábado, 27 de novembro de 2010

A Fotografia

Era uma fotografia a preto e branco. Eu estava de preto e tu de branco. Tal como as teclas de um piano, caminhavamos lado a lado, compondo lindas canções.
Agora, um pedaço de lua insiste em nascer no meu coração cada vez que olho a fotografia.
E é por isso que todos os dias é luar no meu peito...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Seja como for ainda ontem te peguei ao colo, há pouco mais...
Ainda ontem te sentia no ventre, aconchegado...
És agora um menino com olhos de coral
e eu, orgulhosa, com o mar nas mãos...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Era uma vez duas almas. Comentava-se no céu à boca fechada serem almas gémeas. Sábias e evoluídas, não precisavam voltar mais à Terra e viviam juntas e felizes no céu.
No entanto, certo dia uma delas dirigiu-se a Deus e pediu-Lhe:
- " Senhor, gostaria de voltar à Terra a fim de aprender algo mais sobre o perdão.".
-" Mas... - retorquiu Deus - para que queres tu sacrificar-te uma vez mais voltando à Terra, se já evoluiste o suficiente? Não vejo necessidade desse enorme sacrifício...".
-" Não creio saber tudo sobre a arte de perdoar, Senhor, deixa-me ir...".
A outra alma, sabendo ser muito forte a vontade da sua amiga e sendo enorme o amor que por ela nutria, disse:
-" Irei com ela, Senhor! E ao longo da Vida que nos atribuires, aprenderemos em conjunto tudo sobre a arte de perdoar." (...)
E é assim que quando alguém me magoa tanto que se torna difícil esquecer ou perdoar, eu penso que, quem sabe, pode ser a minha alma gémea, enviada comigo por Deus, para eu aprender.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

E foi assim que escrevi a primeira linha, com a febre das asas perdidas.
Aconteceu assim... de um dia para o outro...
E a partir desse dia o meu mundo encheu-se de cerejas.
Parecia tão verdade que entreguei meu peito à Primavera...
Agora, a meus pés, apenas a neve espuma do mar.
Mas, se te disserem que te esqueci (ainda que seja eu a dizer-te),
não acredites, amor.
Seguirei contigo dentro a cada passo,
por onde eu caminhe levarei teu olhar
e para onde tu fores levarás minha dor.
Porque ao ser mentira, sagrou-se ferida a Primavera.

terça-feira, 19 de outubro de 2010


Li há pouco, num livro sobre Reiki, que nem todos os Reikianos sabem ou merecem sê-lo, uma vez que se limitam a subir nos níveis sem porem em prática no seu dia a dia os seus princípios.
Eu tento, ao menos hoje, não me irritar, não me preocupar, trabalhar honestamente, ser gentil para com todos os seres vivos e agradecer cada momento da minha vida.
Redescobri esta veia adormecida que hoje me rege, me motiva e ilumina. E aprendi a abraçá-la como se fosse impossível viver de outra maneira. Como se fossemos um só: eu e esta nova maneira de estar.

domingo, 10 de outubro de 2010

S
Sei de ti...
A tua respiração pousa-me no ombro e não olho,
não preciso...
Sei de ti nas coisas mais simples como o cheiro da terra,
ou dos pinheiros...
Escuto com atenção o silêncio,
e cresço para ti.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Voa, meu pequeno pardal...
Abre as asas ao tempo, insensato e breve, a quem deste a mão...
Voa como se fosse o mar a bater-te no peito, apressado e meigo...
E ri, de corpo nú ainda, cortando a morna brisa que te acaricia...
Como estas festas que te faço ao lamber-te as penas...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Bom é acordar com um sorriso escondido nas asas, prestes a levantar vôo...
Bom é a poesia de Deus feito carne e osso...
Bom é descobrir que o tanto pode ser mais ainda...
Deixar de ver a palidez da morte em vida
e abraçar cá dentro o seu encanto...



Bom é o espanto...
o sol no peito irradiando a rua,
o toque suave da pele nua,
ter na boca o tom pastel
e na varanda a própria lua...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Projecto CASA

(A propósito do post anterior...) : Há quem escolha enganar, ludibriar, manipular, desestabilizar, magoar, ofender, maldizer, prejudicar, blá,blá, blá...
Eu escolho AMAR! Amar, amar perdidamente, este, aquele, o outro e toda a gente!
É disso que trata este Projecto CASA.
Dezenas de famílias procuram diariamente o nosso espaço em busca de uma refeição.
São os novos pobres: famílias onde havia pão e deixou de haver. Famílias inteiras. Onde a casa já não tem luz, nem água, nem gaz, porque se deixou de pagar. Famílias despejadas de casas colocadas em hasta pública pela mesma razão. Nunca foram mendigos. Viveram bem e desafogadamente.
Realidades mesmo na porta ao lado.
É disso que se trata. Ajudar o próximo.
Precisamos mais voluntários. Todos os dias.
Precisam-se voluntários para AMAR.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Ando a ler um livro fabuloso. Numa das muitas excelentes passagens descobri esta: "...Se há coisa que não tolero é a mentira, a falsidade e a hipocrisia. Os mentirosos vestem-se de coloridas roupas, como as penas de um pavão em plena corte. Ludibriam perigosamente a sua presa que, cega, se entrega e rende acreditando...".
O meu pai é o meu mestre. Dele herdei o sentido da justiça e da honestidade. Por isso quando li esta passagem me apeteceu escrever sobre ela. Porque mais perigosos que os assassinos, são os mentirosos, que nos assassinam a alma.
E no entanto, eu sigo acreditando. Acredito sempre. Continuo a ter fé no Ser Humano. Por muitos "assassinos de almas" que eu já tenha encontrado no meu caminho, continuo a acreditar.
Lembro-me de o meu pai me dizer que eu era transparente e para eu ser sempre eu. E por isso me faz tanta confusão quem o não é.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A dor é sempre uma lição.
Sopro ainda o primeiro crepúsculo, mas sei que estou viva e cresço para mim.
O cheiro tímido do amanhã entra-me já pela janela.
E sei que te levarei comigo, mas não voltarei atrás.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A última vez que falei contigo foi na terça-feira passada.
Estavas cheia de esperança e força. Disse-te que estava contente por ti.
Hoje não sei o que sinto.
Estou contente por teres parado de sofrer, mas triste por teres partido.
Porque a morte é uma dor horrível para os vivos.
E só me apetece dizer o que digo ao meu pai todos os dias: "TU NÃO ESTÁS MORTO COISA NENHUMA!"
Tentar arranjar força e sentido para tudo isto versus sentir na pele a dor intensa da perda, não é fácil.
Se por um lado, passar por todas estas perdas fez com que eu passasse a relativizar as coisas, por outro fez-me também seguramente mais fragilizada.
Passei a viver com o medo da perda. Não sei se aguentarei mais alguma.
Tento com muita força pensar que, do outro lado, outra vida recomeça.
E a ti, deixo a minha sentida homenagem, pela força, coragem e assombrosa Fé com que lutaste estes seis anos.
Venceste-o, Teresa, foste tu que o venceste.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Estou farta de perder pessoas...

Primeiro foi a minha avó. No auge da minha adolescência não entendi que a sua vida se tinha cumprido e a dor fez com que passasse a andar com os bolsos cheios de Valium's para atenuar a angústia de a ver partir. Chorei muito.
Depois foi o meu primo. De um dia para o outro. Num dia estava cá e no dia seguinte já não estava. Aos 33 anos, tal como Cristo, foi crucificado, mas por um fulminante enfarte. Também não entendi a sua partida tão jovem e andei meses a ligar-lhe para o telemóvel apenas para lhe ouvir a voz no atendedor de chamadas. Chorei muito.
Mais tarde foi a minha tia. Em seis meses um cancro assassino roubou-lhe a vida que ela tanto amava. Cuidei dela como se fosse minha mãe. Todos os dias. No dia em que foi embora deu-me um beijo. Como se soubesse de antemão que já não mais me veria. Chorei muito. E às vezes ainda choro.
O ano passado foi o meu pai. O meu grande e adorado pai. Apesar de dez anos de uma doença venenosa e cruel, foi (é) muito difícil encaixar a idéia de já não o ouvir rir nem poder abraçá-lo junto a mim. Tem sido um ano complicado a tentar interiorizar que onde quer que ele esteja está seguramente melhor. Choro (ainda) muito.
E ontem foi uma amiga de sempre. Depois de seis anos de uma luta em que considero ter sido vencedora, partiu abruptamente, deixando-nos uma lição de vida e de coragem. Conheci-a há muitos anos, éramos duas adolescentes. E continuámos amigas neste caminho desde então. Acompanhámo-nos sempre. Nas fases boas e nas fases más. E apesar de saber que um dia este dia havia de chegar, e apesar de saber que a partida dela é um alívio no seu sofrimento, não tenho palavras para exprimir o vazio que sinto. Adeus, Teresa! Até um dia! Choro muito.

sábado, 7 de agosto de 2010

Com o coração em carne viva e a saudade em chama...
De coração nas mãos em frente ao mar...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Alguma vez disseram a alguém: "Não gosto de ti." ?
Não digam. Nunca digam.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Hoje falei com um grande mestre. Daqueles que nos fazem sentir um grão de areia neste Universo. Internacionalmente reconhecido, dedica a vida a viajar pelos quatro cantos do Planeta com o objectivo único de ajudar as pessoas a cresceram na espiritualidade.
Não cobra dinheiro, vive da caridade e daquilo que lhe dão. Tem amigos no mundo inteiro e a cada dia colecciona mais uns quantos.
Falei-lhe de mim. Que devo ter um karma na minha vida. Ele riu-se e disse-me: - "Só um?! Que sortuda!" e continuou: -" Todos temos vários karmas que temos que viver e cumprir, passar por eles, mesmo que sejam difíceis. Se não os vivermos totalmente, nunca se resolverão e nunca nos deixarão seguir em frente e abraçar novos karmas que temos que viver. Essa é a nossa missão".
"Deus é o meu guia". - disse-lhe. E ele respondeu-me: - "Não podia ter melhor...".
Tudo isto porque hoje decidi avançar com mais um nível. Porque preciso de força para abraçar estes meus karmas.


segunda-feira, 19 de julho de 2010

Carta aberta a meu pai...

Hoje é a ti que escrevo, pai.
Carrego uma mão cheia de mágoas.
Abro a mão na tentativa de as soltar ao vento, mas não voam.
Não duvido que me pegas ao colo muitas vezes enquanto durmo e agradeço-te por isso.
Ensinaste-me a amar sem rédeas e aprendi.
Ensinaste-me a confiar nas pessoas e aprendi.
Não me ensinaste porém que as pessoas fazem doer muitas vezes. Aprendo com elas.
Também eu já fiz doer se calhar. Momentos em que não estive à tua altura.
Peço PERDÃO por cada mágoa que causei nesta carta aberta que te escrevo.
Quanto mais tento parecer-me contigo, mais me deixo magoar.
Não importa. Esse é o caminho. Ser cada dia melhor e viver cada vez mais como me ensinaste.
Pega-me hoje ao colo, pai.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

E de repente os olhos do menino-homem encheram-se de mar.
Um mar salgado transbordante de amor onde todos navegavamos abraçados.
Parabéns, meu pequeno príncipe!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Hoje morri para ti. Já nada me dói ou arrasa.
Pois morta que estou nada mais me atinge ou magoa.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Amar

Tu és o lugar onde começam os sonhos...
Assim como a lua e as marés, o vento e a vela,
Assim tu és...
Prolongas-me a alma como se fosse una,
e santa adormeço em paz só por te amar...



segunda-feira, 31 de maio de 2010

Bordoto...

Fez ontem 35 anos, era eu muito pequena e ouvia atentamente uma história contada pela minha irmã, quando as contracções começaram... lá se foi a história para o escambáu, mas na manhã seguinte nascias tu, a minha caixinha de surpresas!
Deixei de ser a bébé da família para passares a ser tu. Não me podia sequer aproximar muito de ti porque podia partir-te. Aprendi, no auge da minha infância, a partilhar.
Os anos foram passando e és minha amiga, irmã, filha, mãe e... sobrinha!
Meu guia e meu colo muitas vezes. Como o contrário também.
E hoje só quero dizer-te que te adoro e que te desejo o melhor dos anos!
Parabéns, bordoto!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O Ser Humano é fantástico! Quando acredita nalguma coisa, investe e entrega-se todo. De peito aberto! Aposta a sua vida naquele projecto, pessoa, sonho...
E quando deixa de acreditar, sofre e adormece. Para na manhã seguinte acordar como se fosse a primeira vez...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Amamos de olhos fechados.
Sem saber porquê.
Apenas porque sentimos.
Só porque sim...

No amor não há palavras para a razão.
Abrimos os braços frente ao enorme oceano...
e acreditamos que as águas se vão separar...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

É enquanto cá estamos que amamos, que sorrimos, que magoamos e nos faz doer.
É aqui que sonhamos, que descobrimos, que choramos e fazemos chorar.
É agora o tempo de viajar, de dar as mãos, de dançar com os pés na areia até o sol dormir...
É agora o dia de abraçar e colher sabores, de mergulhar a fundo e abrir os braços ao ar...
Voar, voar... é agora a hora de amar! Fazer um sol com lápis de cor e acreditar...
Cada segundo passado não volta mais...é um pássaro morto na estrada numa tarde de chuva.
É agora... ou nunca mais...

quarta-feira, 5 de maio de 2010


A verdade é que me dói todos os dias...
E não posso fingir que não é assim...

segunda-feira, 26 de abril de 2010


Li há pouco tempo que se amarmos seremos amados, se dermos receberemos...
Será?!
E se magoarmos seremos magoados?
Nah... já viram como seria a Vida justa se assim fosse?

terça-feira, 20 de abril de 2010


Happy Birthday... wherever you are...

sábado, 17 de abril de 2010

Este não foi um ano fácil. Foi Outono sempre. Cada hora era hora de naufrágio.
Todos os dias o teu rosto afogado entre retratos e velhas memórias.
Todos os dias a lutar contra uma saudade dorida de auroras frias.
Todos os dias a perder-me em ti em vez de me ganhar por te ter dentro de mim.
Porque se Deus te tem nos Seus braços, eu tenho-te no coração.
Mas a saudade dói até ser Verão. Até se poder sorrir com ela ao fim da tarde.
E ainda chove em mim, pai. Ainda chove em mim...

terça-feira, 13 de abril de 2010


Era o mar, o teu cabelo de miúdo aos caracóis...
Era a vaga que naveguei neste barco de papel onde hoje me afundo...