sábado, 9 de agosto de 2008



De há tanto tempo caladas, estavam roucas as teclas do meu piano. Como vozes escondidas, silenciadas no peito.

Toquei-lhes ao de leve, quase com medo... responderam sorrindo, contando da saudade de se fazerem ouvir.

Então a casa ficou mais alegre e as crianças riram. Entoando com os olhos cantigas de amor...



Hoje estou feliz. Agora. A esta hora. E é sempre e só assim que se consegue. Não existe SER feliz. Apenas ESTAR. Aqui e ali. Momentos fugazes.
Que ao querermos agarrar tornamos eternos numa memória carinhosa que de vez em quando chega para nos fazer cócegas...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Quero partir... esta não é mais a minha casa.
Sem abrigo,
partirei em busca de uma
cujo chão me embale
e no tecto se desenhem loucas estrelas...



Mãe...
pilar de força,
mural desenhado pela vida...
vaso de nós, flores do campo,
ávidas de sol...
É um tempo leve,
este em que o sal se faz tua boca
e a areia me corre nas veias devagar...

quarta-feira, 23 de julho de 2008



I'm in the middle of nowhere...

somewhere between something and something else...

segunda-feira, 21 de julho de 2008

E agora tu...
Ninguém me avisou que ías chegar
e de repente acordar as manhãs...
Icem-se as velas
e façam-se as naus ao mar
que estou pronta para partir...
Doravante, na minha face,
o sal será o das ondas apenas...



E a vida torna-se para todos um tapete vermelho, qual passerelle... E desfilamos todos os dias... também nós, modelos quotidianos duma existência, ora pacífica ora feroz... uma fachada à vista e outra dentro de nós...

domingo, 20 de julho de 2008

A capacidade de entrega é uma qualidade que todas as pessoas têm mas nem todas conseguem usar. Conseguimos entregar-mo-nos de corpo e alma a um trabalho, a um projecto , a uma causa, mas não a uma pessoa. Entregamo-nos sem hesitar a algo, mas não a alguém... Se por um lado entendo, que a necessidade de nos protegermos da desilusão nos impeça, não entendo por outro, que o medo seja mais forte que tudo o resto.
Não entendo que coisas mereçam mais de nós do que pessoas...
Hei-de entregar-me sempre. A tudo o que amar. Ainda que a queda doa, justifica o vôo...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Pai... este sítio onde à noite afogo a alma antes de dormir é o espaço que tenho para te falar, pois que não me ouves... a ti devo o amor, o real, o verdadeiro... o dos livros, dos filmes, acordado e a dormir... eras o "carro da gente" e isso queria dizer o colo, o colo que sempre senti a vida inteira... deixa-me dizer-te, ainda que não me oiças, que a marcha, "a não perder de vista", continua em teu nome... e que, para teu gáudio, tomei de novo o pulso da minha vida... sou os genes que me deixaste e para sempre "o riso depois da mágoa"... Obrigada, gargalhada azul...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Há pouco tempo alguém me falou do tempo... do tempo para aprender a saborear...
Aprendemos a conhecer cheiros, sabores, cores e momentos que nos dizem coisas...
Sei de um tempo em que tudo era paz. O relógio teimava em não passar. E eu ali...
Na curva de um tempo que se fez tarde... Hoje uso relógio. Não sei se gosto. Mas uso.
E os minutos avisam-me a cada compasso, do tempo que gasto e do tempo que ganho.
Às vezes, a contratempo, percebo que aquela hora não é a minha. Acerto o relógio ...
e calmamente, repouso na brisa da manhã seguinte à espera da minha hora...

segunda-feira, 14 de julho de 2008



Aprendi contigo que as palavras são inúteis... que posso até falar cheia de silêncios, mas com os olhos repletos de palavras que só tu e eu conhecemos... Fazes-me falta... Faz-me falta sentir que éramos perfeitamente imperfeitos mas genuinamente amados...

domingo, 13 de julho de 2008

E o pai da minha amiga de sempre viajou...
morreu depressa, demasiado depressa,
e eu fico com pena
de não conseguir trazer o passado
para sempre junto a mim...
Por ti era capaz de roubar uma orquestra...
havia de compôr uma sinfonia
jamais fazendo menos que o melhor possível...


Nada como um fim de tarde de Verão no meu restaurante favorito para o Estio... A brisa salgada a acarinhar as longas e deliciosas conversas... e o cheiro... o cheiro que nos embala para sítios longínquos e bons...

sábado, 12 de julho de 2008

Qual a parte do "Amo-te" que ainda não percebeste?...
Deus leva-nos o que nos é mais querido para que não o tomemos como certo.
Gosto de lanchar com as antigas alunas do Colégio de Odivelas. O tempo não parece pesar e tudo o que é importante é a data do lanche seguinte.
Quem dera aprender de uma vez que cada dia é uma benção... Não consigo imaginar ainda uma despedida do meu presente, mas sei que como filha tardia vou ter um dia que saber... Não quero!
Alguém que eu conheço desde sempre, vai embora...
Faz-me pensar nas pessoas que eu não consigo deixar ir...
As referências são tábuas de salvação
impossíveis de largar...
não tenho a coragem nem a força que é preciso,
Deus me livre e guarde dessa hora que não sei.

quarta-feira, 9 de julho de 2008



A cidade dos meus amigos é linda... Os dias não duram 24 horas nem as horas passam a correr quando nos encontramos... as feridas secam sem se saber como e a música dura... Sabemos, sem ser preciso dizer, aquelas coisas do sentir... e um abraço pode ser dado ou não, mas existe... Obrigada!

I'm back again to my needs...
Me, myself and I... that is the moment!

domingo, 6 de julho de 2008



Às vezes ficar em casa e deixar o outro partir pode ser a melhor das viagens...

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Não sou militante da dor nem sua refém,
as coisas acontecem-me, simplesmente...
Nem sempre fui tristeza...
já fui riso e brilho aqui e além,
tal como fui lágrima e sombra, naturalmente...
O ácido cítrico que a ferida fere e queima
fará a cicatriz de quem sofre porque ama.

terça-feira, 1 de julho de 2008



Uma vez alguém me disse que as pessoas só nos fazem aquilo que deixarmos. É verdade, mas também muito injusto. Porque se continuamos ali a deixar que nos magoem, é porque acreditamos que um dia vão parar. Que lição é suposto aprender? Que devemos perder a fé no Ser Humano?...

domingo, 22 de junho de 2008

Como fazemos para impedir que alguém nos faça doer ?...
Pedimos com jeitinho: "Por favor não me magoes"?...

sábado, 14 de junho de 2008



Amor é talvez esta lágrima que me cai quando te lembro...

Não sei explicar o que é sentar-me aqui e escrever, sabendo que alguém, que não sei quem, poderá ler... Mas sei o que é abandonar-me numa coisa, sem rede, só porque sim...
É parecido. De repente a hora pára e apetece "escrevinhar" para fora o que nos vai dentro. E sem pensar no depois, faz-se.
Sou muito assim em tudo. Umas vezes corre bem. Outras nem tanto. Mas acredito e sei que naquelas que são (foram) mesmo importantes, valeu a pena arriscar. Vale sempre. O risco é o traço que deixamos. A cor do nosso pó.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Eu mesma. Os meus sons e as minhas cores.
E quem não gostar que não fique.
Sou eu. Assim. Inteira.
A rir com o sol da manhã,
o cheiro da terra molhada
e o êxtase de cada hora
de cada madrugada...
Nunca sabemos muito bem até que ponto magoamos alguém, pois não?
A mágoa que causamos devia ser devolvida por correio ao remetente.
Talvez assim passassemos a ter mais cuidado com o outro.
Porque quando a dor chega, passa a existir dentro de nós como se tivesse vida própria. E toma conta do nosso sono, da nossa respiração. Torna-se rainha e aniquila a alegria, expulsando-a para outro país... Ficamos assim seus escravos...
E é nesse desespero umbilical causado por uma dor alheia que se instalou, omnipotente, omnipresente... que percebemos o poder das relações humanas.
De que cor é a inspiração?
Hoje veio-me à memória
o amarelo dos girassóis
num fim de tarde de Verão...
Podia ser o verde das maçãs...
Mas o azul...
é sempre o azul que chega para me serenar...

terça-feira, 10 de junho de 2008

Posso correr agora de pés descalços...
sentir nas palmas as cócegas da estrada aberta
agarrar a ponta de um qualquer arco-íris
e ir para onde ele me levar...
numa cor qualquer...
mais quente que esta onde vivi.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A todos os que passam tempo a ler-me e a deixar a sua palavra, muito muito obrigada! Porque é para isso que este espaço serve. Para eu desabafar, e para quem quiser , comentar esses mesmos desabafos. Beijos.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Uma página em branco é sempre uma tentação. Ocupá-la de pensamentos e sensações, desenhando letras que nos levarão, de mãos dadas, por caminhos ora belos ora feios, ora alegres ora tristes como uma morte.
Olhei a folha. Vazia ali para mim. Lembrei-me de palavras que me levariam a ti. Não quero... quem dera os pensamentos tirassem férias, quanto mais cravá-los numa folha, em traços fortes, de uma tinta inapagável como tu...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Descobrir-te
foi entender que afinal
sempre soube esta cor
que não esqueço...
que exististe sempre
e perdurarás
mesmo entre nuances...

sábado, 31 de maio de 2008

A vida é uma enorme loucura...
Saber sentir não é fácil
e perdemos muitas vezes o sabor das coisas.
Mas hoje deste-me a seda leve
numa hora linda
e a tarde cresceu como nunca...
Fizeste-me lembrar
que houve um tempo
em que não podia amar-te mais,
porque não havia mais...
fizeste-me ver a pessoa que conheço
e amo ainda...
nas horas de seda como a de hoje.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Trazer-te-ei amanhã ainda comigo?...
Sorrirás no meu olhar?...
Serão as gotas do paraíso insistentes e loucas
ou tornar-se-ão pálidas, caducas e tristes
como o olhar de um cão abandonado
em pleno Verão?

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Onde foi que perdemos o sorriso?
Respirava desejo...
um raio de sol...
e do nada chegou o rochedo.
Agora nada mais sinto senão sombras,
como quem vagueia sem saber onde mora...
Dá-me um pouco de mão
para eu achar a casa
e espalhar-me no amor
pequeno e meu...


Hoje caíu uma vela, ainda acesa, no meio da noite escura, para o chão de madeira do quarto. O mesmo quarto em que eu via televisão na vossa cama, entre vocês dois. A mesma cama de onde o pai depois me tirava e levava ao colo para o meu quarto. O mesmo pai que hoje pego eu ao colo quando o cérebro o engasga... Hoje caíu uma vela. Incendiou o chão. Daquele quarto. Também meu. Cheio de memórias quentes de infância. Que jamais ardem.
Sempre gostei de papoilas...
o efémero do vermelho baloiçante
a magia do sangue renovado a cada Verão,
não sabia porquê...
Hoje sei da luz suspensa
e deste ar que respiro,
desta música que não cessa
e do nome que rompe o dia
gritando bem alto a cor escarlate...
Fica sempre mais fácil quando somos dois a carregar...

segunda-feira, 26 de maio de 2008



Sois vós, palavras íntimas, pequenas e frágeis, que me libertam os sentidos

letras desenhadas em traços fechados, trémulas e matinais

assim como que a acordar a manhã adormecida no meu peito...


E é assim que me vou,

ao encontro da bondade

e de um céu de carícias,

à procura de respostas...

É assim que me abandono,

no meu cavalo vermelho

onde viajo inteira...

Onde tudo acontece,

até o que nunca chega a acontecer.


Amar-te e não te ter é como parir um nado-morto. É conceber um amor para a vida toda, senti-lo na pele desde as entranhas, modificar corpo e alma em seu nome, dedicar-lhe voluntariamente todo o nosso tempo na Terra... e depois morrer...


Cinzenta ficou a cor do mar, do céu e do sol. Cinzentos ficaram os meus dias e as minhas noites que não se distinguem. Cinzentas são as estrelas já sem luz e o meu quarto, outrora azul...


Pinta-me um quadro, amor. Enche-o de cores e diz que me amas. Beija-me a nuca, trinca-me e coça-me as costas.


Volta a pôr as cores no seu lugar, por favor... O azul no céu, o amarelo no sol, o vermelho no sangue... Sem cores a vida é apenas um monte de restos mortais...


Agarra, meu Rei, nas tuas cores e volta a espalhá-las nos meus dias.


As crianças gostam do arco-íris...

Hoje sonhei contigo. Tinhas ao pé de ti um cão enorme que não deixava que ninguém se aproximasse de ti. Tinhas um olhar triste. Muito triste. Tentei aproximar-me por vários ângulos mas nunca consegui...

Acordei com o rosnar do cão e o coração aos pulos. Tentei voltar a dormir mas era impossível. Não me saía da cabeça o teu olhar triste. Deu-me uma vontade louca de pegar no telefone e marcar o teu número. Mas já aprendi que não o devo fazer... correndo o risco de seres tu a rosnar-me...

Sou a favor da eutanásia também no amor.

O fim sem dor, com dignidade...

Com os devidos cuidados paliativos.

domingo, 25 de maio de 2008

Sou hoje outra e a mesma pessoa...
Sou hoje outra e a mesma pessoa. Por causa de tudo. E amo com apego tudo o que sou. Apesar de haver quem defenda que "amar com apego" é a negação do próprio amor e que só se ama incondicionalmente sem apego. Confesso não entender muito bem esse conceito. Não sou nenhum Abraão. Acredito que o apego é uma consequência natural do carinho e se isso nos faz menos cósmicos, não quero saber, porque nos faz seguramente mais humanos.
E foi assim que me apeguei a ti... primeiro o sorriso, depois o cheiro... e culminou com o toque, de todos o mais sagrado, o mais meigo, o mais nas entranhas saboreado... como não me apegar? Como não desejar este éter paradisíaco capaz de me arrebatar os sentidos? Como renunciar ao toque aveludado dos Deuses?!... Claro que me apeguei e me vinculei com todos os meus poros abertos aos teus. Porque a vida é para ser vivida em constante assombro. E mais vale desistir se assim não for.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Às vezes nada mais vale a pena senão o mar. E a sua lição de paciência compassada. A sua cor sublime, mitocondrialmente benéfica. E o seu aroma enebriante. Envolvente e profundo. Como todos deveríamos ser...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Este é o sítio
onde finalmente me encontro...
dou de caras comigo e mato saudades
do mar que toco,
das asas abertas a pique,
do vento na face,
do som da noite,
das maçãs frescas,
e do cheiro a leite
nas manhãs de sol...

Como posso viver sem a minha vida?...



Hoje a minha mãe dormiu com o meu pai. Tirou-o da cama de grades que o protege dele próprio e deitou-o na grande cama onde ambos se protegeram mutuamente a vida toda. Ela estava muito feliz... ele... jamais saberemos o que sentiu...

Dói-me o seu olhar vago, outrora onírico e raiado de uma luz colorida. Dói-me o seu silêncio. Dói-me a impotência de não o poder resgatar e trazê-lo para mim. Agarrar-lhe de novo a mão segura e pedir-lhe que nunca mais me largasse...

Sou apenas alguém que espera ser levado por um som...

Apenas as veias a transportarem, ao ritmo de uma sístole, o alimento das células. De todas elas. Que te pertencem, e consequentemente eu, como ser pluricelular que sou. Isto tudo para te dizer que cada uma das minhas células te respira. Ao ritmo de sístoles, de diástoles e de marés... umas vezes mais salgadas que outras...